Chegou a R$ 3,3 milhões o total de dinheiro vivo apreendido pela Polícia Federal (PF) com os investigados da Operação Overclean, que mira o empresário José Marcos de Moura, conhecido na Bahia como o “Rei do Lixo”, e outras 16 pessoas suspeitas de integrar um esquema de desvio e lavagem de dinheiro oriundo de emendas parlamentares através de contratos fraudulentos.
O dinheiro foi encontrado pela PF em diferentes situações, de escondido em sacolas e até dentro de carros até guardado em cofres nas casa e escritório. Nesse valor estão incluídos os R$ 220 mil jogados pela janela de um apartamento em Salvador pelo vereador de Campo Formoso Francisco Nascimento, primo do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que também está sob investigação por suspeita de envolvimento com o esquema.
Além de dólares e euros, também foram apreendidas libras esterlinas e até yuans, moeda corrente da China.
A cifra milionária, obtida pela reportagem nos autos de apreensão da operação, se soma ao farto acervo de joias e itens de luxo apreendidas com os investigados, além de um arsenal de dispositivos eletrônicos que assombra o Congresso. Só o Rei do Lixo tinha o equivalente a R$ 717 mil em dinheiro guardados na sua residência em Salvador e na sede de uma de suas empresas, a MM Limpeza Urbana, em maços de reais, dólares e euros.
Conforme publicamos no último dia 13, Moura também teve sete Rolex e outros 91 acessórios de grifes badaladas recolhidos pela PF. O empresário e outros 16 aliados são acusados de desviar verbas de emendas direcionadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) a prefeituras que faziam licitações e contratos fraudulentos.
O Rei do Lixo é apontado como chefe da organização junto de Alex Rezende Parente, que foi flagrado em uma ação controlada da PF com R$ 1,5 milhão em espécie guardados em uma mala de mão a bordo de um jatinho fretado pelo empresário no trajeto entre Salvador e Brasília. Os policiais também encontraram R$ 38,7 mil em seus bolsos e na sua mochila, além de outros R$ 3,8 mil em espécie acomodados de forma não especificada nos autos.
Quantias expressivas de dinheiro também foram encontradas com os investigados Evandro Baldino do Nascimento (R$ 243.050), Flávio Henrique de Lacerda Pimenta (R$ 54.833), João Luiz Martins Machado Neto (R$ 52.817), Clebson Cruz de Oliveira (R$ 36.618) e Claudinei Aparecido Quaresemin (R$ 33.513).
Os 17 presos na Overclean foram soltos ainda em dezembro por determinação da desembargadora Daniele Maranhão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) – que mira uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como mostramos no blog.
A operação da Polícia Federal e a apreensão de 144 dispositivos eletrônicos, entre notebooks, celulares, HDs e pen drives, colocou deputados e senadores sob tensão por conta da investigação se debruçar sobre emendas parlamentares e também pelas conexões do Rei do Lixo com o meio político, em especial no União Brasil, cuja Executiva Nacional tem Moura entre seus quadros.
A PF remeteu o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado após Elmar Nascimento ser citado nas investigações. A corporação também tentou repassar o caso para o ministro Flávio Dino, que cuida de outras ações relacionadas a emendas, mas o sorteio de Kassio Nunes Marques como relator foi respaldado pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.
Na semana retrasada, Nunes Marques, apontado como um ministro próximo do Centrão, decretou sigilo absoluto sobre a Overclean.
O relatório da Polícia Federal que embasou a operação também cita uma assessora do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo os investigadores, sua chefe de gabinete, Ana Paula Magalhães de Albuquerque Lima, atuou diretamente para liberar emendas que serviriam para pagar as empresas do Rei do Lixo. Como publicamos em dezembro, Ana Paula ajudou a destravar às pressas R$ 14 milhões do orçamento da União no último dia de 2023, data limite para o empenho do dinheiro.
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