Score de crédito: entenda como é calculada e como melhorar pontuação que libera acesso a empréstimos e financiamentos

Você sabe o que é “score de crédito”? Trata-se de uma pontuação calculada de acordo com o pagamento de suas contas, como empréstimos bancários, cartão de crédito e boletos de água, luz e telefone. As informações são fornecidas, em grande parte, via Cadastro Positivo — um banco de dados alimentado por instituições autorizadas pelo Banco Central (BC). O resultado tem como objetivo sinalizar ao mercado se uma pessoa é ou não boa pagadora.

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— A pessoa pode nunca ter feito a consulta de seu score, mas se tem mais de 18 anos e Cadastro de Pessoa Física (CPF) tem uma nota sendo formada por como consome e efetua pagamentos. E isso vai afetar a liberação de crédito para ela: seja o limite do cartão ou a concessão de financiamento imobiliário — explica Carla Beni, professora de Econommia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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O Cadastro Positivo reúne informações de contas pagas em dia, mas também de atrasos e negativações. Embora seja possível pedir a retirada do próprio nome deste banco de dados, é importante considerar que isso não ajuda a obter novos créditos, uma vez que as instituições ficam sem parâmetro do risco da operação.

Segundo o Banco Central, têm permissão para calcular score no país: Boa Vista, SPC Brasil, Quod, Serasa e TransUnion Brasil. Essas empresas podem escolher o peso dado a cada informação coletada pelo Cadastro Positivo, inclusive convidar o pagador a compartilhar mais dados, como de contas bancárias, a fim de melhorar a análise de seu perfil. As notas, então, podem ser consultadas por instituições que querem tomar uma decisão de concessão de crédito.

O EXTRA traz, abaixo, dicas para melhorar o seu score e, consequentemente, as condições de negociação, como taxa de juros, em solicitações de crédito às instituições financeiras. Atitudes como a quitação de uma dívida ou evitar simulações repetidas de empréstimo, sem necessidade, podem impactar na sua pontuação. Não há mágica, no entanto.

Cuidado com golpes

Assim, ao ler promessas de aumento de score na internet, é preciso ter cuidado.

— Em momentos de vulnerabilidade, as pessoas caem em muitos golpes deste tipo: um botão para aumentar o seu score ou mesmo um curso que promete ensinar a aprender a aumentar o score. As pessoas pagam e o serviço não existe — alerta a gerente da Serasa, Amanda Castro.

Não há como pagar para aumentar o score de crédito, e as dicas seguras de hábitos a melhorar para impactar a pontuação estão nos sites oficiais de cada birô autorizado.

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Vale lembrar que, embora importante, o score de crédito não é a única informação que pode ser considerada pelas instituições financeiras na concessão de crédito, alerta Ciro Burgos, professor de Ciências Contábeis do Centro Universitário UniDomBosco:

— É importante ir até a instituição onde pretende buscar o crédito e conversar com o agente sobre toda a sua situação. Você pode ter uma aplicação financeira que não está contabilizada no score, por exemplo. Informações de renda ou patrimônio que podem ser indicadores da evolução financeira — orienta.

Sobe e desce da pontuação

É indispensável para ter um bom score pagar em dia todos os compromissos assumidos: fatura do cartão, parcela de empréstimo ou financiamento, contas de energia e telefone. Evitar que uma dívida seja negativada ou, caso isso aconteça, quitá-la o quanto antes. O Cadastro Positivo guarda informações de pagamentos em dia, mas também de dívidas. É possível retirar o nome desse banco de dados. Essa medida, porém, pode prejudicar a pontuação, já que os birôs ficam sem parâmetro para calcular o risco nas operações de crédito. Permitir a conexão bancária pode aumentar o score na Serasa. Essa conexão habilitará a análise de informações de renda fixa e poupança do consumidor, por exemplo. Simular empréstimos repetidamente pode prejudicar o score, uma vez que demonstra um desespero por crédito. É bom evitar, quando não houver necessidade. Renegociar uma dívida é um primeiro passo para melhorar o score, embora não apague imediatamente o registro de que houve um atraso. Em geral, hábitos dos últimos 12 meses são os mais importantes para o cálculo do score, embora informações mais antigas também sejam analisadas. Pagamentos em lojas feitos em dinheiro não geram informações para o score de crédito, uma vez que são difíceis de serem rastreadas.

Mas para ir bem no score, o ideal é entender tudo o que conta ou não na avaliação e identificar seus pontos fracos, para resolver a situação. Vamos lá?

Como o score é calculado?

Fontes: Amanda Castro, gerente da Serasa; Marcelo Aragona, superintendente de Produtos e Negócios do SPC Brasil; Marcos Coque, diretor de Analytics da Boa Vista. Também autorizadas pelo Banco Central a calcularem score de consumidores, a TransUnion Brasil e a Quod não responderam até o fechamento da edição.

Serasa: Pagamentos de contratos de crédito ativos ou finalizados nos últimos 12 meses determinam mais de metade da nota na Serasa (55%). Registro de dívidas pagas ou pendentes compõe 33% da pontuação. Consultas ao CPF e tempo de relacionamento com o mercado de crédito tem, cada um, 6% de peso. SPC Brasil: Em um score padrão, os pesos são: histórico de negativações (30%), histórico de solicitações de crédito (20%), histórico de contratações de crédito, telefonia e energia (20%), histórico de pagamento dos compromissos de crédito , telefonia e energia (30%). Boa Vista não informou a fórmula de cálculo.

Como consultar o próprio score?

Serasa: Via site ou aplicativo Serasa. O acesso é gratuito. SPC Brasil: No app SPC, gratuitamente. Boa Vista: Pelo site www.consumidorpositivo.com.br. O acesso é gratuito.

Quais são as classificações do score?

Serasa: De 0 a 500, considera que a chance de obter crédito é baixa. A partir de 501 a chance é boa e, acima de 701 pontos, considerada excelente. SPC Brasil: Classifica clientes de alto risco aqueles com score até 399. O médio risco vai de 400 a 599. Baixo risco é avaliado a partir de 600 pontos, melhorando a partir de 800. Boa Vista: Considera que pode ser difícil conseguir crédito com nota abaixo de 549. Acima, não há dificuldade. Mas a partir de 700, as condições oferecidas pelas instituições em contratos melhoram.

Aceita conexão de dados bancários? Apenas a Serasa oferece, em sua última versão de score, a opção para o consumidor de compartilhar dados transacionais de contas bancárias. A conexão bancária não pode diminuir o score, apenas manter ou aumentar a pontuação. E a conexão de uma ou mais contas bancárias pode ser interrompida a qualquer momento. Atenção: Serasa não ganha permissão para fazer nenhuma operação na conta. Nem solicita senha.

Impacta no score ou não?

Finanças da família: Na Serasa não, mas há o desejo de considerar a renda familiar no futuro. O SPC Brasil também não considera este fator. O Boa Vista, sim. Lugar onde mora: Na Serasa, não. Nos outros dois birôs, sim. O SPC explica que leva em consideração os perfis de compras diferentes entre regiões, como Nordeste e Sul do país. Idade: Na Serasa, não. Nos outros dois birôs, sim. O SPC Brasil esclarece que a idade é utilizada para identificar a fase de vida do consumidor e comportamentos de compra diferentes. Porém, essa informação possui relevância muito baixa. Gênero: Não. Ter reserva financeira: Apenas na Serasa, se o consumidor optar pela conexão bancária na última versão do score. Assim, é possível identificar uma poupança, por exemplo. A Serasa ainda testa o acesso a dados do FGTS, que pode facilitar financiamento de casa própria, por exemplo. Ter ou não renda fixa: Na Serasa, por meio da conexão bancária, sim. Está em fase beta ainda a permissão para coletar dados de ganhos de motoristas por aplicativo. O Boa Vista também considera renda fixa em seu cálculo. O SPC Brasil não tem acesso a essa informação. Ter investimento: Não. Simular empréstimo: A Serasa e o SPC Brasil respondem que pode impactar momentaneamente, uma vez que demonstra um desespero por crédito. Para o Boa Vista, não. Consultas ao CPF feitas por empresas: A Serasa e o SPC Brasil afirmam que sim. Para o Boa Vista, isso depende do tipo de empresa. Por exemplo, consultas em bancos, financeiras e seguradoras. Pagamentos em lojas feitos em dinheiro: Formas de pagamento não têm impacto no score. Mas a compra à vista não é rastreada pelo Cadastro Positivo, deixando de gerar dados de bom pagador.

Renegociar uma dívida aumenta o score? O registro de que houve uma dívida não some, mas a negociação elimina uma negativação. Essa informação é positiva. Segundo o SPC Brasil, essa informação é adicionada em uma ou duas semanas a partir dos arquivos semanais do Cadastro Positivo. Mas se há outras negativações, a melhora no score será pequena.

De quanto em quanto tempo o score é atualizado? Diariamente. No entanto, alguns dados dependem da atualização do Cadastro Positivo ou podem variar segundo o prazo de faturamento da forma de pagamento utilizada. Por exemplo, o Pix cai na conta imediatamente, enquanto o boleto pode demorar alguns dias.

Qual é a memória do score? Serasa considera dados positivos dos últimos 12 meses, mas informações negativas podem ser consideradas por cinco anos. Nos outros dois birôs, as informações dos últimos 12 meses são as mais relevantes, chegando a representar 70% da pontuação no SPC Brasil.

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